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sábado, 7 de janeiro de 2012

Mulheres do inverno


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por Max Lucado

I
Os que lamentavam não o fizeram parar. Nem a grande multidão ou mesmo o corpo do homem morto na maca. Foi a mulher – a expressão em seu rosto e a vermelhidão em seus olhos. Ele soube imediatamente o que estava acontecendo. Era o filho dela que estava sendo carregado, seu único filho. E se alguém conhece a dor que vem de perder seu único filho, Deus conhece... (Lucas 7:11-17)

II
Sua intenção era tirar uma soneca enquanto os meninos iam para a cidade buscar comida. E que lugar melhor para descansar do que em um poço ao meio dia. Ninguém vem buscar água a esta hora. Então ele se sentou, se espreguiçou e se encostou no muro do poço. Mas seu cochilo foi logo interrompido. Ele abriu um olho apenas o suficiente para vê-la arrastando-se trilha acima com um jarro pesado em seu ombro. Atrás dela vinha meia dúzia de crianças, cada uma parecendo ser de um pai diferente... (João 4:1-42)

III
Quando ela chegou até  Jesus, ela não tinha nada a perder. Os médicos haviam tirado seu último centavo. O diagnóstico havia furtado sua última esperança. E a hemorragia havia roubado seu último pingo de energia. Ela não tinha mais dinheiro, nem amigos e nem opções. Com a ponta de sua corda em uma mão e uma asa e uma oração em seu coração, ela abriu seu caminho através da multidão... (Lucas 8:43-47)

Três mulheres. Uma enlutada. Uma rejeitada. Uma morrendo. Todas sozinhas.

Sozinhas no inverno da vida.

Apesar de não sabermos como elas eram, seria justo supor que elas tinham passado do auge de serem desejadas. As únicas cabeças que se viravam enquanto elas andavam pela rua eram as cabeças balançando com pena. Uma das três era viúva e sem filhos, outra havia perdido sua inocência há seis quartos atrás e a terceira estava quebrada, desesperada e morrendo.

Se Jesus as tivesse ignorado, quem perceberia? Em uma cultura onde as mulheres estavam apenas um ou dois grau acima dos animais de fazenda, ninguém pensaria nada se ele tivesse passado silenciosamente pelo funeral, fechado seus olhos e se encostado no poço ou ignorado o puxão em seu manto. Afinal, elas eram apenas mulheres!

Esgotadas,
enrugadas,
exaustas.
Mulheres do inverno.

Deixe-as sozinhas, Jesus, alguém poderia argumentar. Encontre alguém com um pouco de primavera.
Pelos padrões do mundo, estas três não podiam dar nada em troca. Elas cumpriram seu propósito: tiveram seus filhos, alimentaram suas famílias, satisfizeram seus homens. Agora era hora de empurrá-las para o frio até morrerem, dando espaço para as jovens e impecáveis.

Foi lá que Jesus as encontrou. Tremendo no granizo gelado da inutilidade.

O frio inverno da vida.

Soa familiar? Claro que sim. Nós temos nossas próprias pessoas do inverno. Pessoas que pela falta de boa aparência ou de poder aquisitivo suficiente andam por aí como porcos-espinhos em um piquenique, indesejáveis e inacessíveis.

Difícil de acreditar?

Visite um colégio algum dia e procure os adolescentes que já sentem os ventos frios da rejeição.

Ou tente Miami Beach. Não me refiro à praia do norte onde os turistas pagam $150 por dia para ficarem bronzeados. Eu me refiro à praia do sul, uma cidade deliberadamente construída para os exaustos. Veja-os arrastando os velhos pés pela calçada. Eles vieram para o seu cemitério. Eles preenchem suas noites com sonhos da neta que talvez venha para o próximo Natal. E apesar da Gold Coast ser quente, em suas almas sopram os ventos do inverno.

Ou reflita sobre os não nascidos. A cada vinte segundos um é tirado do calor do útero e lançado no lago frio do egoísmo...

Os parágrafos poderiam continuar indefinidamente. Parágrafos sobre tetraplégicos, vítimas da AIDS ou doentes terminais. Pais solteiros. Alcoólatras. Divorciados. Cegos. Todos são marginalizados socialmente. Leprosos, mutantes. Todos, em um grau ou em outro, evitados pelo “mundo normal”.

A sociedade não sabe o que fazer com eles. E, infelizmente, nem mesmo a Igreja sabe o que fazer com eles. Muitas vezes eles encontrariam uma recepção mais calorosa no bar da esquina do que em uma classe da escola dominical.

Mas Jesus encontraria um lugar para eles. Ele encontraria um lugar para eles porque ele se importa. E ele se importa incondicionalmente.

Não, ninguém teria culpado Jesus por ignorar as três mulheres. Ter virado sua cabeça seria muito mais fácil, menos controverso e nem de longe arriscado. Mas Deus, que as fez, não poderia fazê-lo. E nós, que o seguimos, também não podemos.

Notas:
Traduzido por Cynthia Rosa de Andrade Marques Almeida
Texto original extraído do site www.maxlucado.com

Um comentário:

  1. Olá,Kézia!!!
    Tudo bem com vc?
    Gostei do seu blog...já estou te seguindo!
    Que DEUS te abençoe a cada dia mais e mais e te dê muita paz!!!

    Um forte abraço em vc!

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