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quarta-feira, 4 de junho de 2014

“Honrando o Chamado Bíblico da Maternidade” por John Piper

Tu, porém, tens observado a minha doutrina, procedimento, intenção, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e aflições, quais as que sofri em Antioquia, em Icônio, em Listra; quantas perseguições suportei! e de todas o Senhor me livrou. E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições. Mas os homens maus e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, e que desde a infância sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela que há em Cristo Jesus. Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça;  para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.” 2 Timóteo 3:10-17

Meu objetivo nesse sermão é honrar a maternidade e dessa forma glorificar a Jesus Cristo, que projetou isso, criou e abençoou isso através de sua encarnação no útero de Maria e através de suas palavras ditas da cruz para João,em um dos mais belos atos de cuidado final para com Maria;  “[João] eis aí tua mãe” (João 19:27)

O que eu quero homenagear nessa mensagem é o chamado bíblico na vida da mulher para tecer um tecido da vida familiar de compromisso ao seu marido e seu chamado, compromisso com seus filhos e seu treinamento, e compromisso com Cristo e sua glória. Em outras palavras, eu quero honrar o chamado bíblico que faz com que casamento, maternidade e gerenciamento do lar, no contexto de um discipulado cristão radical, sejam o centro, o coração, os compromissos dominantes na vida de uma mulher.
Existem milhares de mulheres solteiras, e muitas delas se manterão solteiras. Deus derrama sua graça nesse caso – uma graça muito especial, e para muitos até mesmo um chamado. Há mulheres que são mães solteiras e o elemento do casamento no chamado que eu descrevi faz muita falta. Jesus Cristo também derrama sua graça nesse caso. Existem mulheres que se casaram e não podem, ou que juntamente com seus maridos decidiram não ter filhos. Jesus derrama sua graça nesse caso.

E existem também mães que além de seus filhos, cuidam de seus maridos e gerenciam suas casas e tem ainda um trabalho de meio período ou de período integral fora de casa – algumas delas porque precisam (como as mães solteiras, por exemplo) , outras porque vêem isso como parte do seu chamado e encontram formas criativas de interligar suas agendas de maneira que não prejudicam o seu compromisso principal em casa e outras, infelizmente, porque não consideram como compromisso principal o cuidar do marido e dar o suporte para o chamado dele, dedicar suas vidas aos seus filhos e gerenciar o lar para a glória de Cristo. Elas simplesmente absorveram os valores do mundo da televisão, mídia, e amigos sem uma visão bíblica.

O objetivo desse sermão
Meu interesse não é endereçar todas essas circunstâncias. Meu objetivo é encorajar as mulheres – e existem milhares de vocês – que acreditam que o chamado de Deus na sua vida é o casamento, o alegre suporte ao marido e ao chamado dele, demonstrando dessa forma como é a relação entre Cristo e a igreja, a maternidade, a transmissão para seus filhos de uma visão centralizada em Deus e cujo tesouro é Cristo, e também o gerenciamento da casa, a criação de um belo e simples lugar e um organismo vivo chamado Lar que se tornará, não somente para a família, mas também para a comunidade, um refúgio da paz de Cristo e fonte da justiça de Deus.

Mulheres como vocês que sentem esse chamado são aquelas a quem eu quero encorajar com essa mensagem, o seu papel é aquele o qual eu desejo homenagear de maneira especial hoje, porque você provavelmente não receberá encorajamento ou homenagens do mundo secular. Eles não sabem do que eu estou falando. Casamento é uma parábola de Cristo e sua igreja? Maternidade como uma transmissão de vida-para-vida de uma visão centrada em Deus, tendo Cristo como tesouro? O gerenciamento do lar como a criação de um organismo vivo que nutre a paz de Cristo e a justiça de Deus? O mundo não entende essas coisas.

Esse é um chamado crucial, sagrado e muito alto que muitas de vocês abraçam mesmo com o pouco entendimento ou encorajamento do mundo. Vocês são aquelas que ouviram Tito 2:4-5 , não como uma obrigação mas como uma libertação. Paulo disse a Tito que as mulheres mais velhas devem “instruir as jovens recém casadas a amarem ao marido e a seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido , para que a palavra de Deus não seja difamada.” Você ouviu esse chamado tão rico, profundo, precioso, alto e sagrado, que confirma os desejos do coração como sendo absolutamente essencial para a formação de uma igreja e cultura centralizada em Deus, e que exalta a Cristo.

A você eu direciono essa mensagem como uma palavra de honra e encorajamento. Para fazer isso eu quero gastar parte do meu tempo em I Timóteo 2 e outra parte do meu tempo, como forma de ilustração das Escrituras, pagar um tributo à minha própria mãe que viveu esse chamado tão fielmente.
Primeiramente, olhe comigo para 2 Timóteo 3:14-15

“Tu, porém[Timóteo], permanece naquilo que aprendeste [marque essas palavras], e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido,
E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras[isso sinaliza para nós quem foi que o ensinou essas coisas], que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.”
 
Através de quem Timóteo aprendeu a Palavra?
Eu quero que você veja duas coisas. Primeiro, de quem Paulo está falando no versículo 14 quando ele diz: “sabendo de quem o tens aprendido”? Ele está falando de Eunice e Loide, a mãe e a avó de Timóteo. Existem três pistas que nos levam a essa conclusão. Primeiramente, Paulo se refere a essa aprendizado como tendo sido adquirido na “meninice”. Segundo, nós vemos em 2 Timóteo 1:5 essas palavras, “pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Loide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também em ti.” Então Paulo já havia conectado a fé de Timóteo com o que ele havia aprendido de sua mãe e avó.

A terceira pista é a resposta para a questão: Por que Paulo não se refere ao pai de Timóteo? A resposta é encontrada em Atos 16:1 onde Lucas nos fala sobre como Paulo escolheu Timóteo em primeiro lugar para ser seu parceiro de missões. “Chegou também a Derbe e a Listra. Havia ali um discípulo chamado Timoteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego” Então, Timóteo é o produto de um lar com uma mãe crente e um pai descrente. É por conta disso que Paulo não diz que Timóteo aprendeu as Escrituras com seu pai. Ele não aprendeu com o pai. Seu pai não acreditava nelas, mas sua mãe e avó sim. É a isso que Paulo está se referindo em 2 Timóteo 3:14.

Lembrar-se do caráter de sua mãe piedosa é um grande incentivo a se agarrar às Escrituras como ela te ensinou.
Agora a segunda coisa a perceber nesse versículo é que lembrar-se do caráter de sua mãe piedosa é um grande incentivo para se agarrar às Escrituras como ela te ensinou.

Vamos ler de novo para poder ver isso. Versículo 14: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado..” – isso significa, não desista da sua fé, não desista das Escrituras, não desista de sua salvação. E então vêm as palavras cruciais se referindo de volta para Loide e Eunice: “sabendo de quem tens aprendido”

Em outras palavras, Timóteo, um dos caminhos – não somente o único – um dos caminhos de fortalecer sua fé e perseverar em tempos difíceis, e não desistir das Escrituras é se lembrar de quem te apresentou para a palavra de Deus e o caminho da salvação. Lembre-se de sua mãe e de sua avó.

Vamos deixar isso bem claro: o apóstolo de Jesus Cristo nesse texto confere à maternidade e ao auxilio da avó na criação dos netos uma grande homenagem. Você tem um chamado que pode se tornar uma base de fé que será lembrada por muito tempo, não apenas para as suas crianças – preste atenção nisso – mas para um numero indeterminado de pessoas que serão afetadas por seus filhos. E isso é um acréscimo a todos os outros milhares de efeitos que a fé trás à sua vida.

Um tributo à Rute Piper
Agora eu me volto para ilustrar essa homenagem pagando um tributo à minha mãe, Rute Piper. Eu tenho dois documentos. Um que eu escrevi sobre minha mãe e outro que meu pai escreveu, os dois foram escritos há trinta anos atrás. Eu lerei algumas partes da minha lembrança para ilustrar algumas das virtudes e do comprometimento de minha mãe enquanto ela viveu esse chamado de esposa, mãe e gerente do lar.

Primeiro, a Glória de Deus era suprema para minha mãe, eu escrevi:
Eu nunca apanhei por suja as minhas calças mas apanhei por faltar a igreja O que significa que mamãe se preocupava mais em manter o nome de Deus e minha alma limpa do que com suas próprias mãos .

Segundo: Ela nunca foi cínica com as minhas fraquezas, pelo contrário demonstrava empatia com carinho. Eu escrevi:
Quando eu tive que dar a minha primeira palavra no grupo de jovens. Logo depois do dia da promoção quando todos os ouvintes são mais velhos, ela me mostrou como escrever os pontos mais importantes em um papel e me escutou um pouco antes da ceia enquanto eu treinava com ela; ela nunca me deixou pensar que isso não era questão de vida ou morte.

Terceiro, ela tinha uma preocupação completa em relação ao meu coração, eu escrevi:
Mamãe conhecia o Bom Livro – especialmente os Provérbios; anos depois quando eu estava três milhões de milhas distante ela continuava a fazer citações de Provérbios em suas saudações. A mensagem era sempre a mesma – a batida pulsante de seu coração – Seja um filho sábio, seja sábio verdadeiramente Tema a Deus e mantenha o seu coração aquecido.

Em quarto lugar, misturado com a fé ferozmente sincera nas realidades do céu e do inferno e da seriedade da vida cristã, minha mãe tinha um senso de humor totalmente desinibido. Eu escrevi:
Talvez Paulo não conseguisse imitar a fala dos bebês ou a Sra. Loren Jones ou todos os outros personagens em uma peça na igreja mas mamãe conseguia – e como ela ria! Eu a vi junto com a minha avó Mohn – cento e trinta anos no valor da sobriedade alemã -gargalhar até suas lágrimas molharem a toalha de mesa.
As gargalhadas começavam com uma pequena explosão de um soprano que poderia rachar os tímpanos, sua cabeça prateada se atiraria pra trás e seus longos e brancos dentes brilhariam abaixo de seu nariz afilado e seu pescoço bronzeado ficaria vermelho quando seus nervos se encolhiam. Ela era uma visão de saúde e alegria e eu nunca me senti melhor do que quando mamãe ria.

Quinto, ela levava o certo e o errado muito a sério, e me mantinha prestando contas detalhamente, para que eu soubesse que em todos os conflitos minha mãe se importava muito comigo. Eu escrevi:
E eu raramente ficava mais triste do que quando via mamãe chorando Eu ganhei uma multa por velocidade uma noite
e mamãe lamentou como se eu tivesse atirado em alguém. Por todo o caminho até a estação ela chorou
e me fez pagar por isso bem ali naquela hora. Uma coisa eu tinha certeza Mamãe se importava muito comigo. Quanto eu devo à minha mãe por minha alma, por meu amor a Cristo, por meu papel como marido, pai e pastor é incalculável!

Agora eu encerro lendo o tributo do meu pai. Tenha em mente o meu propósito- homenagear e encorajar mulheres que abraçaram o chamado bíblico do casamento, maternidade e administração do lar para Cristo e seu reino. Eu vejo o que estou fazendo aqui como do mesmo gênero de Provérbios 31. E eu estou celebrando um belo chamado criado por Deus com a vida de uma mulher que o vivenciou.

Um memorial para Rute, minha esposa
Por: Bill Piper
Ela era uma joia preciosa, muito mais rara do que as safiras, rubis ou diamantes. Sua resplandecência não dependia de nenhum holofote externo ou terrestre. Seu brilho vinha de dentro, brilhava a partir de sua autenticidade de caráter e pureza de alma.

O brilho dançante de sua vida não era resultado de estímulos materiais. Ele vinha de um coração que doou, e doou e doou novamente sem nunca pensar em receber algo em troca. Ele refletia uma vida que amou e amou tanto que esgotou.

Sua beleza era como um altruísmo expandido. Sua vida toda foi para os outros, os amados dela, seus amigos, seus vizinhos e sua igreja. Ela não conhecia um lugar de descanso. As necessidades eram infinitas e sua devoção sempre equilibrou as demandas. Cansaço profundo de mente e corpo nunca a deteve.

A enorme riqueza de seu caráter era mais demonstrada em sua bondade incansável. Todos os que a conheciam sentiam isso, testemunharam isso, experimentaram e acreditaram nisso. Todos os que vinham o circulo de influência de seu brilho eram animados, encorajados, aliviados e abençoados.

Sua beleza não conhecia a vaidade. Ela desdenhou o barato, o mau gosto e o faz de conta. Ela detestava tudo que fosse falso, e hipócrita. Sua autenticidade era transparente. Ela irradiava coisas reais. A vida para ela não era nenhuma palhaçada ou uma charada, mas uma expressão diária de sinceridade sem vícios.

Sua glória surgiu de um amor à vida. Suas atividades nunca cessavam e sua energia parecia sem limites. Sua risada espontânea e seu sorriso contagiante alegravam a todos que a conheciam. Ela aproveitava o fato de estar viva, e sua vida tinha beleza e propósito.

Ela era uma síntese da mulher virtuosa. Ela se vestia com força e honra. Meu coração confiava nela com segurança. Ela cuidou bem de todos os negócios da família. Ela acende o óleo á meia noite.  Suas mãos nunca foram ociosas. Sua boca era cheia de sabedoria e sua língua era a lei da bondade. Seus filhos cresceram para louvá-la.

Ela era modesta, tanto que quase errava. Sempre uma dama. Sempre uma rainha. Ela se portava com equilíbrio e grande dignidade sem pompa, falsa religiosidade ou cerimônia. Tendências modernas de estilo eram ignoradas se ofendiam sua sensibilidade ou violavam suas convicções. Ela nunca procurou por louvor ou popularidade, se contentava sempre em servir com um espírito de harmonia e auto-abnegação.

Ela era uma mulher prática. Nunca esbanjava. Nunca gastava demais. Eu era o sonhador. Ela evitava o desnecessário e o excessivo. Satisfeita sempre com as coisas simples, ela evitava o que fosse tolo e vão. Os julgamentos precediam suas decisões. Nunca fazia deles um desfile, ela se abstinha de superficialidade, pretenciosidade, coisas desnecessárias e que não eram práticas..

A luz de sua devoção e o aroma de seu caráter vive perpetuamente como uma benção na vida daqueles que a amaram. Seu testemunho não será perdido. Seu compromisso com Cristo não foi em vão. Seu marido e seus filhos e todos os seus descendentes crescerão e a chamarão ditosa.

Esse sermão é um cumprimento daquela profecia, e eu oro pra que ele seja uma honra e um encorajamento para todas a mulheres que abraçaram o chamado bíblico do casamento, o alegre suporte do marido e ao chamado dele refletindo o relacionamento entre Cristo e a Igreja, e a maternidade, a transmissão de uma visão centrada em Deus e tendo Cristo como um tesouro para suas crianças, a administração do lar, a criação de um lugar lindo e simples que funcione como um organismo vivo que se torne um refugio da paz de Cristo e uma lugar de propagação da justiça de Deus.
___________________
piper 

Este post é uma tradução de um artigo de John Piper publicado originalmente no site “Revive Our Hearts”, traduzido e re-publicado com permissão.
**  John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980.
***Tradução: Rebecca Figueiredo

Fonte:  http://www.mulherespiedosas.com.br/chamado-biblico-da-maternidade/

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